O Banco do Brasil (BBAS3) começou a quarta-feira (27) sob forte pressão: além das incertezas no cenário internacional ligadas à Lei Magnitsky, novos dados de crédito divulgados pelo Banco Central colocaram ainda mais tensão sobre as ações do banco.
Logo cedo, os papéis chegaram a cair 2,21%, tocando R$ 19,93. Mas o mercado se ajustou e, às 11h55 (horário de Brasília), os ativos já viravam para leve alta de 0,49%, cotados a R$ 20,48.
Crédito em desaceleração e inadimplência em alta
O relatório do BC mostrou que, em julho, as concessões de crédito cresceram 1,2% em relação a junho, e o estoque total subiu 0,4%. O dado que mais preocupou investidores foi a inadimplência em recursos livres, que avançou para 5,2% — maior nível desde 2017.
Empréstimos individuais: desaceleraram para +11,5% (ano contra ano), enquanto caíram 40 pontos-base em relação a junho.
Empréstimos corporativos: avançaram 9,5% na comparação anual, mas ficaram estáveis frente a junho.
Spreads e deterioração de ativos
Outro ponto sensível foi a queda de 20 pontos-base nos spreads de empréstimos, que chegaram a 20,3%. O movimento foi puxado pelo recuo nos empréstimos individuais (-40 pontos-base, para 25,3%), parcialmente compensado por alta nos corporativos (+40 pontos-base, para 9,4%).
Segundo análise do Bradesco BBI, os números confirmam um cenário de deterioração da qualidade dos ativos (NPLs de 90 dias):
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NPLs individuais: piora de 20 pontos-base;
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NPLs rurais: alta expressiva de 90 pontos-base;
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Empréstimos pessoais (ex-consignado): +40 pontos-base;
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Cartões de crédito: +20 pontos-base.
A inadimplência inicial ficou estável em 4,0%, mas o recado é claro: os empréstimos rurais continuam pressionando provisões e devem impactar os resultados do 3T25.
O lado positivo
Nem tudo foi sinal vermelho: o BBI destacou a retomada do crédito para PMEs, que cresceu 3,0% em julho, mostrando resiliência do segmento mesmo em um ambiente mais adverso.
Em resumo: o Banco do Brasil encara um equilíbrio frágil entre avanços pontuais e deterioração de qualidade, o que mantém a ação volátil no curto prazo.

