Um episódio recente chocou o mundo do esporte: um goleiro faleceu após levar um chute no peito durante uma partida de futebol. Casos assim são raros, mas evidenciam um risco grave e pouco conhecido do grande público — o commotio cordis.
O coração, protegido pelo esterno e pelas costelas, funciona a partir de um ciclo elétrico que organiza cada batida. Quando um impacto atinge o tórax exatamente no momento crítico da repolarização ventricular — em uma fração de milissegundos do ciclo —, pode ocorrer uma arritmia fatal chamada fibrilação ventricular. Esse fenômeno, conhecido como commotio cordis, está entre as principais causas de morte súbita em esportes de contato ou que envolvem bolas em alta velocidade, como beisebol, hóquei, artes marciais e futebol.
De acordo com o cardiologista e pesquisador
Dr. Valério Vasconcelos, com experiência em grandes clubes e formação no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia:
“Um impacto forte e preciso no peito pode desorganizar o ritmo elétrico do coração e levar a uma parada súbita. É um evento raro, mas devastador, que exige resposta imediata.”
Como Reduzir o Risco
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Equipamentos de proteção: coletes específicos em esportes de alto impacto reduzem a energia transmitida ao coração.
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Desfibriladores Externos Automáticos (DEA): devem estar sempre disponíveis em estádios, ginásios e centros de treinamento. A reversão da arritmia depende da desfibrilação precoce.
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Capacitação em Suporte Básico de Vida: treinadores, árbitros e atletas precisam saber iniciar imediatamente a RCP até a chegada do DEA.
Conexão com o Esporte e Educação
Entusiasta do esporte e da ciência aplicada ao desempenho humano, o Dr. Valério Vasconcelos será palestrante no evento Fitness, em 18 de outubro, na Estação Ciência. O tema será “Coração de Atleta: Prevenção de Eventos Cardíacos no Esporte”. Na ocasião, também lançará seu livro Coração de Atleta, que reúne informações científicas atualizadas sobre fisiologia, cardiologia do esporte, nutrição, risco cardiovascular e treinamento seguro para atletas e praticantes de atividade física.
Conclusão
O commotio cordis mostra que até corpos jovens e treinados têm pontos vulneráveis. A união entre ciência do esporte e cardiologia preventiva é essencial para implantar protocolos de segurança, garantir equipamentos adequados e preparar equipes. Investir em prevenção salva vidas — e mantém o jogo, literalmente, no ritmo certo.



